4 de ago. de 2011

Argumentos em defesa do SAERS

Considerações sobre o Sistema de Avaliação Educacional do Rio Grande do Sul (SAERS). Informações reunidas pela ex-secretária estadual da Educação, Mariza Abreu, para contrapor os argumentos do governo Tarso quanto ao fim da aplicação dos exames do SAERS nas escolas estaduais.

1. O sistema nacional de avaliação do rendimento escolar (SAEB e Prova Brasil) e o do Rio Grande do Sul (SAERS) já fazem o levantamento das condições de oferta do ensino, de responsabilidade da Secretaria de Educação, por meio de questionários respondidos pelos diretores, professores e alunos. Em anexo, Boletim Contextual do SAERS de 2008, o que encontrei disponível no site do CAEd.

2. Sem avaliação universal implementada pela Secretaria da Educação, as escolas estaduais não receberão o boletim pedagógico com seus próprios resultados, para usar como instrumento a fim de melhorar sua prática de ensino e, portanto, a aprendizagem de seus alunos. O boletim pedagógico do SAERS é muito mais rico em dados e análises do que o da Prova Brasil.

3. Como a Prova Brasil não avalia as escolas rurais e as urbanas com menos de 20 alunos na série, nem é aplicada na rede privada, sem o SAERS universal essas escolas estaduais e as municipais e privadas, que participam do SAERS por adesão, não serão avaliadas ou terem que organizar outro sistema de avaliação no Estado.

4. O MEC avalia etapas finais da escolarização: 4ª série ou 5º ano e 8ª série ou 9º ano do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio. Utilizando as mesmas matrizes de referência e metodologia de análise das provas (TRI – Teoria da Resposta ao Item), de forma complementar ao MEC, o SAERS avalia anos letivos críticos da escolarização por apresentarem maiores dificuldades de aprendizagem e maiores taxas de repetência: a 2ª série ou 3º ano do ensino fundamental, quando o aluno deve estar plenamente alfabetizado, segundo meta do Todos pela Educação; a 5ª série ou 6º ano, primeiro ano letivo da segunda etapa do ensino fundamental, com taxas elevadas de reprovação; 1ª série do ensino médio, com maior reprovação nesse nível de ensino. Assim, oportuniza-se à escola e ao sistema de ensino a ação pedagógica sobre os alunos do período de escolaridade anterior às séries/anos avaliados e também sobre os próprios alunos que foram avaliados e ainda permanecem na escola.

5. A coleta da opinião dos pais pode ser incorporada à avaliação, o que foi sugerido no debate pela Secretaria de Educação em 2009 e já havíamos concordado em fazer (páginas 204 e 218 do livro Boa Escola para Todos). Aliás, o MEC começou a avaliação de forma amostral com o SAEB e ampliou para a universal com a Prova Brasil, sem deixar de realizar o SAEB para não perder a série histórica. Se a Secretaria quer ampliar a análise dos resultados, poderia fazer o contrário do MEC: manter a avaliação universal e ampliar a coleta de dados em algumas escolas, de forma amostral, para melhor compreensão dos resultados da aprendizagem.

6. A aplicação de provas em outras áreas do currículo é iniciativa que deverá ser adotada pela avaliação da educação brasileira, na sequência do novo ENEM, que adotou as quatro provas do ENCCEJA (Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos), instituído em 2002. Porém, esse processo precisa ser nacionalmente articulado, pois é melhor que os sistemas de avaliação implementados pelo MEC e os estaduais e/ou municipais sejam compatíveis para serem comparáveis.

7. Professores do Rio Grande do Sul acompanharam a elaboração das provas do SAERS, análise dos resultados e elaboração dos boletins pedagógicos junto ao CAEd – Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora, instituição vencedora do processo de licitação que implementou o SAERS de 2007 a 2010. Esses professores e especialistas foram indicados pela Secretaria da Educação, UNDIME/RS e SINEPE/RS. Entretanto, instituições de educação superior do RS ainda não se apropriaram da tecnologia desenvolvida para a avaliação em larga escala hoje no Brasil e no mundo. Inicialmente desenvolvida pela Fundação Carlos Chagas/SP e Fundação Cesgranrio/RJ, que ainda implementa a maioria dos processos nacionais de avaliação, como o ENEM, o SAEB e a Prova, hoje universidades federais como o Cespe/UnB e o CAEd/UFJF já implementam esses processos avaliativos. Não seria sem tempo que universidades gaúchas viessem a se capacitar para tal.

8. Em síntese, não tem sentido retirar a oportunidade de todas as escolas estaduais (e municipais e privadas, por adesão ao SAERS) conhecerem os resultados da aprendizagem de seus alunos no contexto das outras escolas de sua cidade, região, Estado e País. A Secretaria da Educação poderia argumentar que a Prova Brasil já é a avaliação universal suficiente. Primeiro, a Prova Brasil avalia somente o ensino fundamental, sem as escolas rurais e as com menos de 20 alunos na série, e não avalia o ensino médio, responsabilidade exclusiva da rede estadual de ensino; segundo, a Secretaria da Educação já não está considerando a Prova Brasil insuficiente por avaliar só língua portuguesa e matemática? E vai substituir o SAERS por outro instrumento de avaliação apenas para uma amostra de escolas? Isso também não é insuficiente?

24 de jul. de 2011

Mesmo discurso, mesma proposta

Post do blog www.palpitepolitico.blogspot.com

Entre os livros de cabeceira do governador Tarso Genro (PT) deve estar a obra "Boa Escola para Todos", lançada no início deste ano pela ex-secretária estadual da Educação, Mariza Abreu. O petista quer discutir os rumos do ensino no Rio Grande do Sul de forma ampla, com a sociedade, não somente com o magistério ou a entidade que representa os professores. Essa foi a mesma proposta que Mariza coordenou durante o governo Yeda Crusius (PSDB), mas os resultados não foram plenos em razão da conjuntura política da época.

O governador também está disposto a colocar em prática algo que sua antecessora procurou estabelecer: a remuneração por desempenho dos educadores. Durante a campanha eleitoral de 2010, Tarso foi lacônico ao abordar o assunto, tendo em vista a posição contrária do PT sobre a valorização por mérito. Em resumo, Tarso quer fazer o mesmo que Yeda buscou colocar em prática, mas enfrentou a resistência do PT e a satanização do sindicato dos professores.

Na carona das propostas parecidas, Tarso joga com a desinformação das pessoas... Leia mais

22 de jul. de 2011

Segmento voltado para debater a educação

Formar um segmento partidário voltado para discutir os rumos da educação no Estado e no país. Esse foi o tema do encontro que reuniu educadores neste sábado (23), na sede estadual do PSDB, em Porto Alegre. A ex-secretária estadual da Educação, Mariza Abreu, e o professor Tomaz Wonghon conduziram a reunião que contou com a presença de Elton Ferreira, Diego Tormes, Heitor Thomé, Helena Mattos, Luís Gustavo Machado, Martim Barboza, Silvio Oliveira e Terezinha Roque.

Na pauta estavam os meios para estruturação do grupo em nível de partido, a identificação das bandeiras defendidas pelo PSDB na educação e a elaboração de matérias que subsidiem lideranças e ações partidárias. O uso de redes sociais para fomentar debates, expor posições e apresentar propostas também estavam entre os assuntos abordados.

Para o presidente do PSDB-RS, deputado federal Nelson Marchezan Junior, a formação do segmento pode contribuir para a atração de simpatizantes ligados ao ensino. Marchezan esteve no encerramento do encontro e traçou um panorama do partido no Estado. Um novo encontro foi marcado para o dia 13 de agosto, visando dar continuidade ao processo de formação no grupo.

Colaboração:
LUÍS GUSTAVO MACHADO / JORNALISTA (DRT-RS 15280)

26 de jun. de 2011

Homenagem ao Paulo Renato

Do blog de Reinaldo de Azevedo

Falei com Paulo Renato a última, e pela última, vez na festa de aniversário de Fernando Henrique Cardoso, no dia 10, na Sala São Paulo. Era um homem inteligente, um formulador de políticas públicas e um operador competente. Eu o provoquei: “Ministro, o senhor também acha que ler um livro antes de matar pessoas é moralmente superior a matá-las sem ler?” Eu fazia uma alusão, obviamente, ao atual ocupante do Ministério da Educação, Fernando Haddad, que havia se saído com essa pérola em depoimento numa comissão do Senado. Elegante, discreto, Paulo Renato sorriu: “Ô, Reinaldo, eu acho que ele se atrapalhou; certamente não quis dizer aquilo…” Provoquei mais um pouco: “Tucanos sempre tentando fazer um petista parecer melhor do que é; já os petistas, com vocês, fazem o contrário…” Ele assentiu, mas só um pouquinho: “É, talvez você tenha razão…” E falamos por algum tempo sobre outros assuntos, especialmente sobre o homenageado da noite.

É isto: morre Paulo Renato Souza, um homem público notável, cuja obra foi incansavelmente vilipendiada pelos petistas, e as notas de condolências da presidente Dilma Rousseff e de Haddad podem fazer justiça tardia a seu trabalho, mas não têm força para apagar da história a tentativa de desconstruir o trabalho que ele comandou ao longo de oito anos no MEC e, mais recentemente, como titular da secretaria de Educação do governo de São Paulo, na gestão José Serra.

Como ministro de FHC, Paulo Renato comandou a universalização do ensino básico, criou o Enem, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Exame Nacional de Cursos, apelidado de “provão” — depois chamado de Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). O “provão” teve, nos primeiros anos de aplicação, papel fundamental na qualificação das universidades públicas e privadas. O exame foi bastante descaracterizado pela gestão petista.

Paulo Renato também foi decisivo para a criação do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), em 1996. Para não variar, os petistas combateram bravamente o fundo e, atenção!, votaram contra a sua criação, o que é um escândalo, uma das muitas indignidades do partido. No poder, o que fizeram os petistas? Rebatizaram o Fundef, passando a chamá-lo “Fundeb” (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), sob o pretexto de que passaria a atender também ao ensino médio... Leia mais

10 de jun. de 2011

Entrevista ao Blog Educadores

Consultora Legislativa na área da educação na Câmara dos Deputados, desde 1991; Secretária Municipal de Caxias do Sul 2005/06, Secretária de Estado da Educação do RS e vice-presidente da Região Sul do Consed 2007/09. Lançou, no início deste ano, o livro Boa Escola Para Todos: gestão da educação e debate sobre a valorização dos professores do RS, 2007 a 2010, pela Editora AGE. A professora nos concedeu entrevista via e-mail, em 03 de junho de 2011... Leia mais