29 de abr de 2011

Descontinuidade na educação

Artigo da ex-secretária da Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu. Texto publicado inicialmente no dia 28 de abril, no jornal Correio do Povo.

A partir de 1970, a educação gaúcha vem perdendo posição no país. Pela redução dos investimentos do governo, devido à crise fiscal e despesas crescentes com previdência, e pela descontinuidade das políticas públicas, pois sem recondução do mesmo partido ao governo desde a retomada das eleições em 1982.

Na Secretaria da Educação, apesar das dificuldades fiscais, desde o início da gestão, em 2007, encaminhamos projetos pedagógicos para melhorar a qualidade da Educação. Continuamos políticas anteriores: a Escola Aberta para a Cidadania tornou-se lei em 2007; o Projeto Escola de Tempo Integral, com 23 escolas estaduais em 2006, passou para 27 em 2010. Iniciamos o Projeto de Alfabetização com Crianças de 6 e 7 Anos no Ensino Fundamental, como piloto em 2007/08, estendido a toda a rede estadual em 2009, e o Sistema de Avaliação do RS (Saers), aplicado de 2007 a 2010 em parceria com o Sinepe e a Undime/RS.

A atual Secretaria da Educação extinguiu o Saers, por considerá-lo \"neoliberal\", e suspendeu o Projeto de Alfabetização. Não sabe ou omite que o Saers utiliza as mesmas matrizes de referência, escalas de proficiência, a Teoria da Resposta ao Item (TRI) do Saeb e da Prova Brasil, do MEC, e itens do Banco do INEP/MEC em seus testes.

A Prova Brasil, avaliação universal com resultados por escola, não avalia o ensino médio nem escolas de ensino fundamental na zona rural e com menos de 20 alunos na série, nem a rede privada.* *O fim do Saers deixará as escolas estaduais que não participam da Prova Brasil e as municipais rurais e urbanas pequenas, e as privadas, que participam do Saers por adesão, sem avaliação externa. Sem Saers, a Secretaria da Educação privará todas as escolas estaduais do boletim pedagógico, mais completo que o da Prova Brasil, para replanejarem seu trabalho.

Com o Projeto de Alfabetização, financiado pelo MEC em 2008/09, os professores recebiam capacitação e material didático-pedagógico para a alfabetização, com 88% dos alunos alfabetizados aos 7 anos. As escolas podiam escolher entre três metodologias de alfabetização, ou manter sua proposta anterior. Ao suspender o Projeto, a atual Secretaria retirou esse apoio sem oferecer outra alternativa aos professores.

Como o governo Lula, que manteve o Saeb do governo FHC, mantivemos políticas da gestão anterior e implementamos novas ações para enfrentar problemas da educação gaúcha. Hoje, assistimos à descontinuidade de iniciativas com resultados positivos para a gestão educacional no Rio Grande do Sul.
Postado por PSDB Porto Alegre às 19:42 0 comentários